Francesa que pediu eutanásia
A francesa Chantal Sébire, cujo caso relançou o debate sobre a eutanásia na França, após ela ter pedido à Justiça o direito de morrer, faleceu no último dia 19 após ter consumido uma "dose mortal" de barbitúricos, segundo os resultados dos exames divulgados nesta quinta-feira (27) pelo procurador que investiga o caso.
A mulher, que tinha um tumor incurável que lhe causava muitas dores, apareceu morta em seu domicílio, perto de Dijon, em 19 de março, dois dias depois de um tribunal negar o pedido que recebesse a eutanásia ativa.
O procurador de Dijon, Jean-Pierre Alacchi, disse hoje que os exames toxicológicos que tinha ordenado revelaram que a francesa absorveu uma "dose mortal" de barbitúricos.
A autópsia ordenada pelo Ministério Público não tinha esclarecido as causas da morte, por isso Alicchi pediu exames complementares sobre substâncias encontradas no corpo de Sébire.
Os resultados destas análises revelaram a presença no sangue de Sébire de uma quantidade de barbitúricos três vezes superior do que se considera uma dose mortal, disse o procurador.
Alacchi disse que foi aberta uma investigação para determinar como Sébire teve acesso a barbitúricos, que não são vendidos nas farmácias.
Doença
Com um tumor nasal incurável que provocava fortes dores e que tinham desfigurado o rosto da francesa e causado cegueira, Sébire veio a público quando se dirigiu aos tribunais para pedir que fosse aplicada a ela a eutanásia ativa.
Como esse extremo não está previsto na lei francesa, os juízes rejeitaram seu pedido, mas sua iniciativa reacendeu o debate sobre a eutanásia, até o ponto de o governo conservador francês ter ordenado uma missão de avaliação da lei de 2005 sobre cuidados paliativos.
Várias pessoas, incluindo alguns membros do Executivo, se pronunciaram a favor de introduzir na lei uma modificação que permita aplicar a eutanásia em casos extremos, como o de Sébire.
A atual legislação francesa permite aos médicos dar remédios aos pacientes que solicitarem até que entrem em coma e, nesse estado, aguardar a morte, mas não autoriza aplicar a eutanásia ativa.
Sébire rejeitava esta proposta, porque queria "morrer com dignidade", cercada de seus filhos, amigos e médicos.


