O Quarto 213

Porque há pessoas que estão cansadas de “soluçar” para estar vivas. A eutanásia é um direito.

Thursday, May 31, 2007

Da infância ao recrutamento (Parte II)

O João
Depois dos dez anos fui para a Escola Preparatória.
Como todos os rapazes.
Fez um percurso normal.
Estudava, teve a primeira bicicleta, as primeiras cabanas e o seu desporto favorito começava a ser cada vez mais favorito (Rugby), entrou para os Escuteiros.
Com a entrada na Escola Secundaria, o João começou a ser mais Pulga. Pulga era o seu alcunho. Se ele tinha um sinal de nascença no peito, vermelho.
Agora também tinha um Pulga no nome de João.
E começava a ser tratado assim!!!
O Pulga no secundário teve… Os seu primeiros namoricos, as suas idas ao cinema, algumas deslocações pelas discotecas e os trabalhos de férias.
Mas um dia, no campo de Rugby partiu um braço.
Se, ele, João, perdão Pulga, não era o melhor aluno este incidente ajudou a piorar a situação escolar.
Porque a sua recuperação foi muito prolongada.
Nesta altura o meu avô paterno, Joaquim, insinuara-o a ver a Lousã pela manhã, no Inverno, pois da sua varanda de casa em Vale Domingos estava Sol e a vila submersa num imenso manto de nevoeiro.
O Pulga parecia estar acima do nível das nuvens.
Não foi num manto de nevoeiro mas numa noite quente de Verão que João o Pulga percorrera uma estrada com destino ao terror.
Um acidente de carro.
O carro levava-o para um mundo de horror.
Nessa noite, eu, João que deixara de ser Pulga tinha dado os últimos passos do resto da minha vida.
Com uns sapatos novos.
Tinha-os comprado para usar nessa noite.
Mas o tempo que ele esteve a olhar para a montra!!!
Mal os usou.
Apenas alguns minutos.
Nessa noite eu (João) engoli um enorme Ruttweille que até ao dia de hoje vive dentro do meu corpo, come-o por dentro, rasgando-lhe o coração com este ladrar:
Porque é que isto tinha que acontecer?
Para fazer recuperação, João que já não era Pulga foi para o Alcoitão (Lisboa) sempre acreditou que conseguia recuperar totalmente.
Mas nunca consegui.
Agora escreve para um blog a suplicar a morte.
Eutanásia. Já.

Carlos Tavares

Saturday, May 26, 2007

Pois...

Dois leões fugiram do Jardim Zoológico.
Um dos leões foi para as matas e outro foi para o centro da cidade ...
Depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas.
Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado que arranjasse vaga no Jardim Zoológico outra vez. Assim, o leão foi reconduzido à sua jaula.
Passados oito meses o leão que fugira para o centro da cidade foi recapturado. E voltou para o Jardim Zoológico gordo, sadio, a vender saúde.
Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para a floresta perguntou ao colega:
"-Como é que conseguiste ficar na cidade este tempo todo e ainda voltar com esta saúde?"
O outro leão então explicou:
"-Enchi-me de coragem e fui esconder-me numa repartição pública. Cada dia comia um funcionário e ninguém dava por falta dele. "

"-E porque voltaste então para cá? Tinham acabado os funcionários?"
"-Nada disso. Funcionário público é coisa que nunca mais acaba. É que eu cometi um erro gravíssimo. Tinha comido o director geral, um director de serviços, um chefe de divisão, um chefe de repartição, um chefe de secção, diversos funcionários e ninguém deu pela falta deles! Mas, no dia em que eu comi o que servia o café...
Apanharam-me.

Monday, May 14, 2007

Sem comentários

O Ministro da Saúde visitava um hospital acompanhado pelo Director.

Ao passarem numa enfermaria deparam-se com um doente a masturbar-se. Furioso o Ministro pergunta o que se passa com o paciente. O Director do hospital informa o Ministro que é um caso patológico que implica que o paciente tenha de ejacular de 2 em 2 horas porque senão...

A visita continua e logo mais à frente, noutro quarto, deparam-se com uma enfermeira a fazer sexo oral a outro paciente.

O Ministro, estupefacto, pergunta o que aquilo significa, ao que o director responde, consultando a papelada:

- Sr. Ministro, é um caso absolutamente igual ao anterior, só que este doente vem pela Médis e o outro pela Segurança Social...

Sunday, May 06, 2007

Jesus

PIERO WELBY: Caro Presidente, voglio l'eutanasia

Friday, May 04, 2007

há-de flutuar uma cidade...

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto