O Quarto 213

Porque há pessoas que estão cansadas de “soluçar” para estar vivas. A eutanásia é um direito.

Saturday, March 31, 2007

Raio de Luz ou Raio de União


O Quarto 213 vem por este meio informar que já tem um ano de idade.
Sempre a “lutar” para que a eutanásia seja um direito de todos em todos os países.
Sem festa ou comemoração vai colocar uma foto de Carlos Tavares e um poema de Mário Cesariny

Raio de Luz

Burgueses somos nós todos ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos desde pequenos.

Burgueses somos nós todos ó literatos.
Burgueses somos nós todos ratos e gatos

Burgueses somos nós todos por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos que horror irmãos.

Burgueses somos nós todos ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos desde pequenos.

Mário Cesariny

Tuesday, March 20, 2007

Poema

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca

Mário Cesariny

Thursday, March 15, 2007

Morte assistida em Espanha


Morreu Inmaculada Echevarría, relançando polémica sobre eutanásia

Inmaculada Echevarría, 51 anos, viu hoje cumprido o seu desejo de lhe ser retirado o ventilador que a mantinha viva há dez anos, morrendo no hospital de Granada para onde fora transferida de manhã.

Segundo a Delegação Provincial de Saúde da Andaluzia, Echevarría morreu no Hospital San Juan de Dios, em Granada, cerca das 21horas, depois de ser desligada a unidade de ventilação mecânica que a mantinha "artificialmente com vida".

A equipa médica que a assistiu adoptou as medidas necessárias para que "não sofresse qualquer dor".

Inmaculada Echevarría padecia de distrofia muscular progressiva e vivia há nove anos ligada a um ventilador, tendo pedido a 20 de Novembro que o aparelho lhe fosse retirado.

"Não aceito que haja meios (artificiais) que mantenham a minha vida. Não tenho medo de morrer e não quero continuar assim", afirmou na altura, explicando que esta era uma posição que tinha desde os 20 anos, quando soube que passaria a vida na cama, sem mobilidade.

No início deste mês, o governo da Andaluzia (Sul do país) confirmou que iria satisfazer o pedido da doente para que lhe fosse retirado o ventilador que a mantinha viva.

A doente foi transferida hoje do Hospital San Rafael de Granada, gerido por uma ordem religiosa e onde esteve nos últimos 10 anos, para o Hospital do serviço público de saúde, onde acabou por morrer.
A transferência ocorreu a pedido da ordem religiosa São João de Deus que, em comunicado, explicou que considera a petição da doente "correcta e aceitável, do ponto de vista jurídico e ético", preferindo transferi-la para um centro público perante opiniões críticas de vários sectores religiosos.

A decisão de permitir a retirada do ventilador baseou-se em pareces do Conselho Consultivo da Andaluzia que determinou que o pedido de Echvarría constituía um caso de eutanásia passiva indirecta, pelo que os médicos que cumprissem o pedido não estariam a cometer qualquer acção punível.

O órgão baseia a decisão na Lei de Autonomia do Paciente e na Lei de Saúde da Andaluzia, que estabelecem a validade de recusa de um determinado tratamento, mesmo quando leve a situações "que comprometam gravemente a saúde do doente e levem mesmo à sua morte". A decisão sustenta também que "qualquer paciente que padeça de uma doença irreversível e mortal pode tomar a decisão como a que adoptou Inmaculada Echevarría".

Hoje, antes da sua vontade ser cumprida, foi-lhe novamente explicado pelos médicos o processo que se iria seguir. Foi-lhe novamente perguntado se queria que o respirador fosse desligado, o que ela voltou a confirmar.

Nos últimos dias, recebeu a visita do filho, que reside em Saragoça e que entregou para adopção com poucos meses de vida, depois do marido ter morrido num acidente de viação.

Despediu-se também de amigos e conhecidos que, admitiu a própria paciente em declarações à imprensa, no ano passado eram "poucos", e rejeitou qualquer contacto adicional com a imprensa na fase final da sua vida.

Pedido de eutanásia

Espanha vai dizer sim a paciente acamada há 9 anos

O Conselho Consultivo da Andaluzia, no Sul de Espanha, vai autorizar um pedido de eutanásia. Inmaculada Echevarria está presa a uma cama de hospital há nove anos.

Sofre uma doença irreversível, uma distrofia muscular progressiva, e há muito tempo que só pode mexer os dedos de uma das mãos.

Dois comités regionais autorizaram o pedido, realizado em Novembro passado pela própria paciente, para desligar o respirador que a mantém ligada à vida.

As autoridades médicas recordam que a lei defende o direito dos doentes a recusar determinados tratamentos, mesmo que isso signifique a morte.

Se os profissionais do centro onde está internada alegarem objecção de consciência, o Executivo regional garantirá o cumprimento da vontade da paciente.

Monday, March 05, 2007

A prática pela qual se abrevia.

Eutanásia (do grego ευθανασία - ευ "bom", θάνατος "morte") é a prática pela qual se abrevia, sem dor ou sofrimento, a vida de um enfermo incurável. A eutanásia representa atualmente uma questão de bioética e biodireito. Algumas pessoas acham errado matar uma pessoa, mesmo que essa pessoa esteja a passar por um terrível sofrimento e queira morrer por vontade própria.

Independentemente da forma de Eutanásia praticada, seja ela legalizada ou não, é considerada como um assunto controverso, existindo sempre prós e contras – teorias eventualmente mutáveis com o tempo e a evolução da sociedade, tendo sempre em conta o valor de uma vida humana. Sendo eutanásia um conceito muito vasto, distinguem-se aqui os vários tipos e valores intrinsecamente associados: eutanásia, distanásia, ortotanásia, a própria morte e a dignidade humana.

Antes de mais, é importante referir que se podem “classificar” dois tipos de eutanásia, a "eutanásia ativa" e a "eutanásia passiva". Embora existam duas “classificações” possíveis, a Eutanásia em si é o ato de facultar a morte sem sofrimento, a um indivíduo cujo estado de doença é crônico e, portanto, incurável, normalmente associado a um imenso sofrimento físico psíquico.

A "eutanásia ativa" conta com o traçado de acções que têm por objectivo pôr término à vida, na medida em que é planeada e negociada entre o doente e o profissional que vai levar e a termo o ato.

A "eutanásia passiva" por sua vez, não provoca deliberadamente a morte, no entanto, com o passar do tempo, conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos, farmacológicos ou outros, o doente acaba por falecer. São cessadas todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida. Não há por isso um ato que provoque a morte (tal como na Eutanásia Ativa), mas também não há nenhum que a impeça (como na Distanásia).

É relevante distinguir eutanásia de "suicídio assistido", na medida em que na primeira é uma terceira pessoa que executa, e no segundo é o próprio doente que provoca a sua morte, ainda que para isso disponha da ajuda de terceiros.

Meu querido Ratito

Que saudades que eu tenho de ti.
Sinto falta das tuas tropelias.
Esta vida é tão injusta que, as vezes, parece que estou a escrever de um asilo para uma terra longínqua.
Agora, mais que nunca, sinto que estou a perder o controle da vida.
Se calhar é aquela linha da vida que está a chegar ao fim.
Não me leves a mal, mas senti vontade de dizer que gosto muito de ti.

João Só

Sunday, March 04, 2007

Eu

Eu só queria uma coisa na vida.
Morrer.
Morrer com dignidade.
Com dignidade só.

Carlos Tavares

Saturday, March 03, 2007

A morte saiu a rua num dia assim

A morte chega, silenciosa e curiosa para variar.
Faminta de carne fresca, trás tanto de discreta como de incolor.
Come-nos a mente e o corpo.
Mete-nos debaixo de todos e por fim expulsasse.
Como se não fosse nada com ela.

Carlos Tavares

Friday, March 02, 2007

Se os desejos se pudessem realizar !!!

Todos nos temos desejos
Desejos
E desejos
Uns muitos
Outros poucos
Mas eu só tenho um desejo
Um só
Um só desejo
Morrer

Carlos Tavares