O Quarto 213

Porque há pessoas que estão cansadas de “soluçar” para estar vivas. A eutanásia é um direito.

Sunday, March 26, 2006

Um dos motivos que me levam a escrever do Quarto 213 é o medo



Um dos motivos que me levam a escrever é o medo.
O medo da solidão.
O medo do sofrimento.
O medo da insegurança.
O medo das insónias.
O medo da maldita indiferença.
O estar cansado de ver a vida ser percorrida sobre o gume de uma navalha.
Lentamente, como o passo de um caracol.
Obrigatoriamente, como convém neste mundo.

Friday, March 17, 2006

Respirar debaixo de água

Agora, só respiro debaixo de água
Mas o que eu queria era uma mão
Uma mão só
Não, para me salvar
Mas uma mão que segurasse
Uma pistola
Com uma única bala
Que me furasse os cornos
De um lado ao outro
E acabasse com este respirar
Debaixo de água
Sem água
J.H.

Sunday, March 12, 2006

Da infância ao princípio do recrutamento

Para ser sincero não me lembro de ter nascido.
Por isso fui perguntar a minha Mãe.
Ela respondeu-me:
- Olha filho encontrei-te nas silvas e levai-te para casa!!!
Mais tarde quando fui para a escola é que o Professor explicou:
- Os bebés nascem é das barrigas das Mães.
Fui assim que eu descobri toda verdade.
Adiantando e continuando…
Na rua aonde eu vivia havia muitas crianças, mas um pouco mais velhas, podia assim brincar e fazer algumas tropelias próprias da idade. Mas, como era o mais novo com facilidade tinha oferta de porrada.
Ofereciam!!!... Porque dai a dar vai uma grande distância. Consta que eu não era "osso fácil de roer"...
Mais tarde.
A minha Mãe meteu-me no Jardim de Infância, foi uma alegria para um filho único.
Depois para a Escola Primária.
Um dia, estava a tirar uma foto escolar. Pronto… O professor descobriu que eu (João) já com o alcunho de Pulga pegava na caneta com a mão esquerda.
Ainda hoje guardo a foto com a mão esquerda esticada e a mão direita a segurar a caneta.
Não podia ter aquele hábito.
Tinha ainda a Catequese.
Com um “Bónus” percorrer as ruas da vila, vestido de anjinho.
E eu ia. Vestido de Santo António.
Era ainda recrutado para ir a missa todos os Domingos de manhã.
E eu ia.
Depois foi para o Rugby. E gostei.
Para resumir a minha infância foi lindíssima.
Provavelmente os melhores momentos da minha vida.

Saturday, March 11, 2006

Para ti

De tantas vezes mentires
Algum dia o teu mundo é uma mentira

J.H.


A caminho do destino

Wednesday, March 08, 2006

É talvez o último dia da minha vida.

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro

Saturday, March 04, 2006

Coloquei a bandeira de Portugal numa janela do Quarto 213 com a esperança que o Euromelhões saísse a um cidadão Português.
Não acabava com a crise, nem com os males deste País, mas pronto ajudava alguém.
Mas, com esta loucura toda do dinheiro não podemos esquecer que muita gente ficava contente era com o EuroSaúde, EuroPaz, EuroCarinho, EuroAmizade, etc. …

Wednesday, March 01, 2006

Desde do momento que nascemos até ao dia que morremos somos sempre associados a uma palavra e a um número.
Pulseira com o nome e número de identificação na maternidade, número de bilhete de identidade e nome, número de quarto e nome, tudo isto até a porcaria do dia em que morremos, mas nessa altura com um pouco de “sorte” ainda levamos o número agarrado ao dedo do pé percorrendo os corredores da morgue e por fim espetam-nos numa cova com um placa de mármore com o nosso nome e data de nascimento.
Como se todo este percurso pela vida tivesse grande importância.