O Quarto 213

Porque há pessoas que estão cansadas de “soluçar” para estar vivas. A eutanásia é um direito.

Thursday, February 12, 2009

Almeida Santos: Eutanásia "justifica referendo nacional"

O presidente do PS, António Almeida Santos, admitiu esta quarta-feira, em Lisboa, que a legalização da eutanásia é uma das questões que justificam um referendo nacional.

"É um dos temas que bem justifica um referendo nacional, mas é uma questão a ver", disse Almeida Santos, que, conjuntamente com outras figuras políticas socialistas, é subscritor de uma moção sectorial para abertura de um debate nacional sobre a eutanásia.

O antigo presidente da Assembleia da República falava aos jornalistas à entrada do lançamento da sua "mais recente obra literária", o livro"Que nova ordem Mundial?", cuja cerimónia foi presidida pelo antigo Chefe de Estado Mário Soares e apresentada pelo ex-comissário europeu António Vitorino.

Almeida Santos explicou que sempre defendeu a eutanásia e que a altura escolhida para lançar este debate não tem qualquer contorno político.

"Acho que o direito à vida implica o direito à morte. Sobretudo quando não morrer significa um sofrimento terrível. As pessoas têm o direito de se privarem desse sofrimento. Não quero viver mais! Porque não? É um direito como outro qualquer!", expressou.

Questionado pelos jornalistas sobre porquê subscrever agora a moção, Almeida Santos limitou-se a responder: "Porque não antes? Deviam-me era perguntar porque não antes".

Sobre se a moção que assinou com outros destacados elementos socialistas, entre eles o secretário de Estado da saúde, Manuel Pizarro, o actual líder da JS, Duarte Cordeiro, o anterior, Pedro Nuno Santos, e ainda pelos três vice-presidentes da bancada do PS no Parlamento, Mota Andrade, António Galamba e Ricardo Marques, poderá a vir a ser transformada em proposta de lei, o dirigente socialista respondeu que, para já o que assinou foi destinado a uma discussão pública, "mas depois logo se vê".

Almeida Santos disse desconhecer se a moção será debatida no próximo congresso socialista, agendado para o final de Fevereiro, mas manifestou a esperança de que alguém aborde o assunto.

"Não sei se vai ser. Não sei se faz parte da moção de Sócrates, creio que não", afirmou.

"É uma moção que, com alguns membros do Partido Socialista assinamos, e que vai ser debatida na opinião pública. Alguém a poderá debater no congresso. O que nós queremos é que o tema seja debatido", declarou, sublinhando: "Fugir aos problemas é que não".

Monday, February 09, 2009

17 anos a sofrer

Eluana, a mulher em coma há 17 anos, está morta

09.02.2009 - 19h50 Agências, PÚBLICO

Eluana Englaro, a mulher italiana de 38 anos há dois anos em estado vegetativo persistente, morreu hoje, às 19h10 (hora de Lisboa), anunciou o ministro da Saúde Maurizio Sacconi aos senadores italianos. Não era alimentada há quatro dias, seguindo a ordem judicial para desligar os meios que a mantinham presa à vida.

Os pais de Eluana não estavam presentes na clínica. O pai Reppino Englano, que foi imediatamente avisado por telefone pelos médicos da clínica, encontrava-se noutra cidade, para amanhã participar num protesto.“ Sim, deixou-nos. Mas não quero dizer nada, quero estar só”, disse o pai de Eluana ao ser contactado pelos jornalistas. Segundo a edição on-line jornal "La Repubblica", estava muito emocionado.

A confirmação da morte de Eluana foi anunciada às 20h27 pela presidente da clínica, Inês Domenicali.

“Que o Senhor perdoe a quem a fez chegar a este ponto”, comentou o ministro da Saúde do Vaticano, o cardeal Javier Lozano Barragan.

Centenas de pessoas vão reunir-se esta noite frente da Clínica onde, há vários dias, se encontravam cerca de 200 militantes do movimento “Pela vida”, numa vigília de oração.

A notícia da morte de Eluana suscitou reacções imediatas dos políticos italianos. O primeiro-ministro Sílvio Berlusconi exprimiu “a sua dor profunda” e um “grande arrependimento”, por não ter sido possível salvar a vida de Eluana.

“Este é um caso de eutanásia que não está previsto na lei. É visto como um sucesso na clínica La Quiete mas deveria chamar-se morte”, disse o presidente do senado Maurizio Gasparri.

A polémica começou em Novembro, quando, depois de um processo que se arrastava há dezanos, o tribunal decidiu autorizar a suspensão de alimentação da doente, para que pudesse morrer. Ao tomar conhecimento da decisão judicial, Sílvio Berlusconi apressou a aprovação de um decreto de lei, na sexta-feira passada, que proibisse a suspensão da alimentação de pessoas em coma.

A aprovação do decreto chegou três dias depois de, em respeito pela decisão judicial favorável à morte por eutanásia, ter sido suspensa a alimentação de Eluana Englaro.

Embora a lei tenha sido alterada, a morte de Eluana Englaro deu-se em conformidade com os prazos da decisão judicial.