Morte assistida em Espanha
Morreu Inmaculada Echevarría, relançando polémica sobre eutanásia
Inmaculada Echevarría, 51 anos, viu hoje cumprido o seu desejo de lhe ser retirado o ventilador que a mantinha viva há dez anos, morrendo no hospital de Granada para onde fora transferida de manhã.
Segundo a Delegação Provincial de Saúde da Andaluzia, Echevarría morreu no Hospital San Juan de Dios, em Granada, cerca das 21horas, depois de ser desligada a unidade de ventilação mecânica que a mantinha "artificialmente com vida".
A equipa médica que a assistiu adoptou as medidas necessárias para que "não sofresse qualquer dor".
Inmaculada Echevarría padecia de distrofia muscular progressiva e vivia há nove anos ligada a um ventilador, tendo pedido a 20 de Novembro que o aparelho lhe fosse retirado.
"Não aceito que haja meios (artificiais) que mantenham a minha vida. Não tenho medo de morrer e não quero continuar assim", afirmou na altura, explicando que esta era uma posição que tinha desde os 20 anos, quando soube que passaria a vida na cama, sem mobilidade.
No início deste mês, o governo da Andaluzia (Sul do país) confirmou que iria satisfazer o pedido da doente para que lhe fosse retirado o ventilador que a mantinha viva.
A doente foi transferida hoje do Hospital San Rafael de Granada, gerido por uma ordem religiosa e onde esteve nos últimos 10 anos, para o Hospital do serviço público de saúde, onde acabou por morrer.
A transferência ocorreu a pedido da ordem religiosa São João de Deus que, em comunicado, explicou que considera a petição da doente "correcta e aceitável, do ponto de vista jurídico e ético", preferindo transferi-la para um centro público perante opiniões críticas de vários sectores religiosos.
A decisão de permitir a retirada do ventilador baseou-se em pareces do Conselho Consultivo da Andaluzia que determinou que o pedido de Echvarría constituía um caso de eutanásia passiva indirecta, pelo que os médicos que cumprissem o pedido não estariam a cometer qualquer acção punível.
O órgão baseia a decisão na Lei de Autonomia do Paciente e na Lei de Saúde da Andaluzia, que estabelecem a validade de recusa de um determinado tratamento, mesmo quando leve a situações "que comprometam gravemente a saúde do doente e levem mesmo à sua morte". A decisão sustenta também que "qualquer paciente que padeça de uma doença irreversível e mortal pode tomar a decisão como a que adoptou Inmaculada Echevarría".
Hoje, antes da sua vontade ser cumprida, foi-lhe novamente explicado pelos médicos o processo que se iria seguir. Foi-lhe novamente perguntado se queria que o respirador fosse desligado, o que ela voltou a confirmar.
Nos últimos dias, recebeu a visita do filho, que reside em Saragoça e que entregou para adopção com poucos meses de vida, depois do marido ter morrido num acidente de viação.
Despediu-se também de amigos e conhecidos que, admitiu a própria paciente em declarações à imprensa, no ano passado eram "poucos", e rejeitou qualquer contacto adicional com a imprensa na fase final da sua vida.


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